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Música nos Caminhos de Santiago – Amarante

28 Março 2015 | Sábado

Igreja de São Gonçalo, 22H00

Gioachino Rossini – Stabat Mater

Capella Maiorquina
Ensemble Vocal Pro Musica
Ana Pinto, Soprano
Ana Ferro, Contralto 
Sang-Jun Lee, Tenor
Rui Silva, Baixo
José Maria Moreno, Direcção

Stabat Mater 
G.Rossini

duração cc. 1 hora

O hino Stabat Mater Dolorosa é um poema de origem medieval que retrata os sofrimentos de Maria, Mãe de Jesus, ao presenciar o seu filho na Cruz. Conclui com uma invocação pelo declamante implorando a Deus a Graça do Paraíso pela identificação do crente com Santa Maria. 

Rossini, também conhecido como Cisne de Pèsaro, onde nasceu em 1792 vindo a falecer em Paris em 1868, escreveu o seu Stabat Mater correspondendo a uma encomenda de 1831 do padre espanhol D. Francisco Fernandez Varela, já Rossini se tinha retirado da composição operática depois do Guilherme Tell, sua última obra de cena. Bom vivant, gastrónomo e cozinheiro afamado, Rossini gozava os proventos da sua lucrativa produção anterior em Opera Buffa. Rossini não conseguiu, nessa altura, acabar a encomenda devido a uma crise de lumbago, e foi o seu amigo Tadolini que acabou os últimos seis números da obra. Reservou para si direitos de publicação uma vez que era para além de bom garfo, bom copo e grande compositor, um excelente homem de negócios, característica geralmente arredada de muitos dos grandes compositores do seu tempo.
O Stabat Mater ficaria, provavelmente, para sempre esquecido se, por morte de D. Varela, os herdeiros não quisessem lucrar com a obra vendendo os direitos que não tinham a um editor parisiense. Felizmente para a história da música, Rossini ficou furioso e ameaçou perseguir “até à morte” o editor Aulagnier considerando que a propriedade da obra que lhe tinha sido vendida não era dos herdeiros do abade Varela mas sim sua e que o Stabat Mater não estava completo. Resolve completar então a obra, concluindo os seis números finais, e editá-la por si.
Quando Rossini se resolvia a fazer uma composição era imparável e, passando-se esta desagradável situação em 1837 cinco anos depois é realizada a estreia em Paris, no teatro dos Italianos e depois feita uma tournée europeia que leva Rossini à glória, uma vez que o seu público estaria ávido das suas composições visto que Rossini não compunha nada há mais de quinze anos. 
Ao contrário da sua Pequena Missa Solene o Stabat Mater é uma obra extremamente operática, considerada leve e de salão por Wagner, que o escutou em Paris e assinou uma crítica no jornal de Schumann em que lamentou também o lado financeiro da questão, assinando sob o pseudónimo de Valentino. O próprio Verdi foi muito pouco entusiasta da obra que revela todos os efeitos da ópera cómica na qual Rossini era mestre, com árias, duetos e cavatinas muito ornamentadas para a voz onde se destaca o célebre solo de tenor Cujus Animan, muitas vezes executado em programas de concerto. No entanto, termina com uma fuga, nada operática, de um enorme poder e dramatismo que Verdi certamente não desdenharia compor apesar do que escreveu.
A estreia em Bolonha onde Rossini se encontrava, contou com Donizetti como maestro tendo a multidão aclamado Rossini pela noite fora debaixo das suas janelas!


O Stabat Mater é composto para coro, orquestra e quatro solistas e tem a seguinte estrutura em números que se sucedem:

1.    Stabat Mater dolorosa (verso 1) 
– Coro e quatro solistas
2.    Cujus animam (versos 2-4) 
– Tenor (ária)
3.    Quis est homo (versos 5-6) 
– Dueto – Soprano e mezzo-soprano
4.    Pro peccatis (versos 7-8) 
– Baixo (ária)
5.    Eja, Mater (versos 9-10) 
– Baixo (recitativo) e coro à Capella
6.    Sancta Mater (versos 11-15) 
– Quarteto
7.    Fac ut portem (versos 16-17) 
– Cavatina – Mezzo-soprano
8.    Inflammatus (versos 18-19) 
– Soprano (ária) e coro
9.    Quando corpus morietur (verso 20) – Quarteto sem acompanhamento
10.    In sempiterna saecula. Amen (Doxologia que não faz parte do texto original do Stabat Mater medieval) – Final – Coro


texto latino do stabat mater
1.    Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimósa, dum pendébat Fílius.
2.    Cuius ánimam geméntem, contristátam et doléntem pertransívit gládius.
    O quam tristis et afflícta fuit illa benedícta Mater Unigéniti!
    Quae moerébat et dolébat, pia mater, cum vidébat nati poenas íncliti.
3.    Quis est homo, qui non fleret, Christi Matrem si vidéret in tanto supplício?
    Quis non posset contristári, piam Matrem contemplári doléntem cum Filio?
4.    Pro peccátis suae gentis vidit Jesum in torméntis et flagéllis subditum.
    Vidit suum dulcem natum moriéntem desolátum, dum emísit spíritum.
5.    Eia, mater, fons amóris, me sentíre vim dolóris fac, ut tecum lúgeam.
    Fac, ut árdeat cor meum in amándo Christum Deum, ut sibi compláceam.
6.    Sancta Mater, istud agas, Crucifíxi fige plagas cordi meo válide.
    Tui Nati vulneráti, tam dignáti pro me pati, poenas mecum dívide.
    Fac me vere tecum flere, Crucifíxo condolére donec ego víxero.
    Iuxta crucem tecum stare, te libenter sociáre in planctu desídero.
    Virgo vírginum praeclára, mihi iam non sis amára, fac me tecum plángere.
7.    Fac, ut portem Christi mortem, passiónis fac me sortem et plagas recólere.
    Fac me plagis vulnerári, cruce hac inebriári ob amorem Fílii.
8.    Inflammatus et accensus, per te, Virgo, sim defénsus in die iudícii.
    Fac me cruce custodíri morte Christi praemuníri, confovéri grátia.
9.    Quando corpus moriétur, fac, ut ánimae donétur paradísi glória.
10.    In sempiterna saecula. Amen.

 

tradução
Estava a Mãe dolorosa
chorando junto à Cruz
da qual seu Filho pendia.
Sua alma soluçante
inconsolável e angustiada
atravessada por um gládio.
Ó, quão triste e aflita
estava a bendita Mãe
do Filho Unigénito!
Como suspirava e gemia
Mãe Piedosa, ao ver
as penas de seu Ínclito Filho
Que homem não choraria
se visse a Mãe de Cristo
em tamanho suplício?
Quem não se entristeceria,
a pia Mãe contemplar,
condoída com seu Filho?
Pelos pecados de seu povo,
viu Jesus em tormentos
e submetido aos flagelos.
Viu seu doce filho nascido
morrendo abandonado,
quando entregou seu espírito.
Eia, mãe, fonte de amor,
faz-me sentir tanto as dores
que possa chorar contigo.
Faz que arda meu coração
de amor por Cristo Deus
para se compadecer.
Santa Mãe, faze isto:
que as chagas do Crucificado
sejam marcadas no meu coração.
As feridas de teu Filho,
que por mim padeceu,
as penas divide comigo.
Faz-me contigo veramente chorar,
sofrer com o Crucificado
enquanto eu viver.
Junto à Cruz contigo quero estar
e quero-me associar
ao teu pranto.
Virgem das virgens preclara,
comigo não sejas amarga,
faz-me contigo chorar.
Faz que eu porte de Cristo a morte,
da sua Paixão partilhar a sorte
e venerar as suas chagas.
Faz-me pelas chagas ferido,
pela Cruz embriagado
no amor do teu Filho.
Inflamado e abrasado,
por ti, ó Virgem, seja defendido
no dia do Juízo.
Faz-me ser guardado pela Cruz,
fortalecido pela morte de Cristo
confortado pela graça.
Quando o meu corpo morrer,
faz que minha alma alcance
a glória do Paraíso.
Pelos séculos dos séculos. Amén.

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